terça-feira, 13 de junho de 2017

Uma Cosmovisão Cristã da Morte do Cristão

                         

Durante muitos anos, eu ouvi muitos testemunhos de cristãos que testemunharam com alegria que “Deus tinha fechado a sepultura para eles” outros ainda “profetizaram” do livramento da morte. Esse espírito secular sempre me incomodou.  Porque lendo as escrituras, entendia que de alguma forma, a morte para o cristão era uma bem aventurança (Apocalipse 14:13) e que preciosa é aos olhos do Senhor a morte de seus santos (Salmos 116:15) então porque toda essa celebração á vida terrena sem qualquer afeto a vida celestial? Confesso que isso me incomodou sempre.  A morte na visão da maioria dos cristãos que conheci na minha jornada espiritual, era um monstro a ser evitado a todo custo.  E quando recebiam mensagens místicas de que “Deus os tinha livrado da morte” tais pessoas se alegravam e testemunhavam dessa benção do livramento da morte.  As escrituras ensinam que quer vivamos ou morramos, somos do Senhor. Esse apego a vida terrena de modo a ver a morte como um livramento do céu e uma negação pratica de que “estar com Cristo é bem melhor” isso me perturbou durante anos. Até que li o livro dos Mártires de John Fox e outros escritos sobre os mártires da fé cristã e percebi que os que amaram cristo de verdade, “ não amaram as suas vidas até a morte” (Apocalipse 12:11). Creio que muitos amam a própria vida e não a Cristo. A experiência do novo nascimento ou do nascimento do alto, deve dar a ao cristão uma esperança real de vida eterna. Sem essa experiência de novo nascimento, o que o pecador vai experimentar é uma religião tipo “seguro de vida” ou melhor, “seguro contra a morte”. Nesse caso a motivação da religião é viver muito  para si mesmo nessa vida. Nessa perspectiva o viver não pode ser Cristo, se o morrer não poderá ser  lucro.(Filipenses 1:21) Eu li um pequeno artigo de Thomas Watson, um puritano não conformista que viveu no período de 1620 – 1686.  Watson foi um homem piedoso, eu também li a biografia de Robert Murray M’Cheyne, ele viveu uma vida curta (1813 a 1843) mas deixou um grande legado de sermões e uma vida de piedade que influenciou todas as gerações posteriores de cristãos. Através da vida de M’cheyne, que o Senhor recolheu em tenra idade, aprendi que mais importante do que viver muito nesse mundo, é viver a cumprir a nossa missão cristã, e consagrar-se completamente a Cristo durante toda a jornada da vida, não importa a duração. E lendo um artigo de Watson, eu resolvi traduzi-lo, adaptando ao contexto da nossa época. Segue o artigo de Thomas Watson abaixo:


Nove males do mundo que a morte destrói na vida do verdadeiro cristão
(Thomas Watson, "O Desejo do Santo de estar com Cristo)

Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor
(Filipenses 1:23)

É o desejo de um verdadeiro santo sair deste  mundo perverso, "eu desejo partir". O que um homem perverso teme - que um homem piedoso espera! O mundano deseja viver neste mundo presente para sempre; Ele não conhece nenhum outro lar, a não ser essa Terra – ele não conhece o lar celeste. Um homem perverso não sai deste mundo - mas ele é arrastado para fora dele!

Mas uma alma animada e enobrecida com um princípio de graça, olha o mundo como um deserto onde existem tantas  serpentes ardentes, e ele deseja sair deste deserto!

O pássaro deseja sair da gaiola, embora seja feita de ouro. Assim também, os santos de Deus se consideraram presos no corpo e desejam sair dessa  prisão. "Oh, se eu tivesse  asas como uma pomba, eu poderia voar para longe e estar em repouso!" (Salmo 55: 6).

Não é de admirar que um verdadeiro santo seja tão sério para se afastar deste mundo presente - se considerarmos a morte benéfica para um filho de Deus. A morte põe fim a todos os seus males mundanos e egoístas! Em particular, existem nove males que a morte vai aniquilar na vida de um homem santo e salvo.

1. A morte vai acabar com a natureza pecaminosa  de um crente.

2. A morte vai acabar com as tentações que um crente enfrenta nesse mundo.

3. A morte vai por fim a todas as angustias do crente.

4. A morte secará os lagrimas de um crente.

5. A morte vai acabar com os problemas seculares  de um crente.

6. A morte põe fim a todas as preocupações  do crente.

7. A morte vai acabar com todas as nossas imperfeições naturais.

8. A morte acabará com as imperfeições e as limitações da vida presente.

9. A morte vai acabar com o peso do cansaço de nossa peregrinação.

Embora a morte tenha um cálice de conteúdo  amargo, há uma suave doçura no fundo. A morte é a melhor amiga do crente; Pois por esse caminho, o salvo vai de encontro a Cristo, o que é muito melhor. "Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor “ (Filipenses 1:23)

O artigo de Thomas Watson foi extraído de:
https://www.gracegems.org/PURITAN/Christ's%20Comfort%20for%20Weary%20Pilgrims2.html



Clavio J. Jacinto


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